quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Plotino e a Jornada da Alma - a Contemplação do Um e do Belo

Em 2012, após o término de meu mestrado em Filosofia Antiga (Sobre o Uno em Plotino e o Evangelho Apócrifo de João), dei uma palestra no Instituto Teosófico de Brasília sobre esse mesmo tema. O audio foi gravado e hoje tive o feliz trabalho de transformá-lo o melhor que pude com imagens ilustrativas, para ajudarem a levar o ouvinte para aqueles ensinamentos tão belos (não meus, de Plotino).
Convido-os a ouvir se interessar, e a se inscreverem em meu canal no youtube ☺ Curtam e compartilhem!



No conhecido livro A CHAVE PARA TEOSOFIA, Blavatsky, no primeiro capítulo, explica a origem do nome que escolheu para nomear a Sociedade que fundava. Ela nos fala sobre o Mestre Amônio Saccas e sua escola esotérica e filosófica, nos fala sobre as idéias de Plotino que se assemelhavam com o shamadhi hindu. Ela chama os filósofos dessa escola de verdadeiros teosofistas. Então, penso eu que nada mais óbvio seria para nós, interessados nessa sabedoria divina, buscar conhecer o que ensinavam. Eu sou suspeita, mas é lindo e inspirador!
Espero que meu vídeo auxilie a inspira-lo. Falo da jornada da alma (ou da mônada), das virtudes, do mundo que nos faz esquecer, da escola de Alexandria, dos neoplatônicos e gnósticos, do despertar para a contemplação da Beleza e da Unidade!
Deixo o link aqui pra vocês, e compartilho o trecho inicial da Chave para Teosofia:

CHAVE PARA TEOSOFIA

PESQ.: Qual é o verdadeiro significado do termo Teosofia?

TEOS.: Sabedoria Divina. “Theosophia” significa sabedoria dos deuses, assim como “Teogonia” significa genealogia dos deuses.  A palavra “theos” significa um deus, em grego, um dos seres divinos, e  certamente não significa “Deus” no sentido que se dá atualmente ao termo. Portanto, ela não é “Sabedoria de Deus”, como alguns traduzem o termo, mas aquela  Sabedoria Divina que pertence aos deuses. O termo existe há muitos milhares de anos.

PESQ.: Qual é a origem do nome?

TEOS.:  Ele vem dos filósofos de Alexandria, os chamados amantes da verdade, Filaleteus, de “Fil” (amar) e “Aleteia” (verdade). O nome “teosofia” data do século três da nossa era, e começou a ser usado por Amônio Saccas e seus discípulos (Plotino, Orígenes e outros), que criaram o sistema Teosófico Eclético.
Os neoplatônicos eram numerosos, e pertenciam a várias filosofias religiosas. [3] O mesmo acontece com os nossos teosofistas. Naquele tempo, o judeu Aristóbulo dizia que a ética de Aristóteles representava os ensinamentos esotéricos da Lei de Moisés; Filo Judeu se esforçava por reconciliar o Pentateuco com a filosofia pitagórica e platônica; e Josefo comprovava que os essênios de Carmelo eram simplesmente os copistas e seguidores dos terapeutas egípcios (os curadores).  O mesmo ocorre em nossos dias. Nós podemos mostrar a origem e a trajetória de cada grupo cristão, incluindo a menor das suas seitas. As seitas são os ramos menores nascidos dos galhos maiores da árvore; mas ramos e galhos surgem do mesmo tronco: a RELIGIÃO DA SABEDORIA.  A meta de Amônio era provar isso. Ele se esforçava por induzir gentios e cristãos, judeus e idólatras,  a deixar de lado suas disputas e brigas, lembrando apenas que todos possuíam a mesma verdade sob diferentes vestimentas, e eram todos filhos de uma mesma mãe.[4]  Esta é também a meta da teosofia.

(A tradução na íntegra do primeiro capítulo da obra pode ser encontrada aqui https://www.filosofiaesoterica.com/a-chave-da-teosofia-1/)

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Mensagem de um Mestre de Sabedoria sobre a Grave Situação Mundial

Sobre a Grave Situação Mundial que vive a Humanidade atualmente 
Uma exortação pelo despertar da Unidade e Amor Universal!
Mahatma M. 1977

Retirado do Diário Oculto de Geoffrey Hodson - Luz do Santuário http://edconhecimento.com.br/?livros=luz-do-santuario-o-diario-oculto-de-geoffrey-hodson - Se refere ao período de 1977, mas acredito ser atual para nós hoje mesmo em 2018!

"A civilização moderna, principalmente no Oriente Médio e no Ocidente, está em perigo de um declínio ainda mais acentuado. A causa disso é o enorme e infelizmente crescente número e formas do que deve ser descrito (entre nós) como pura maldade, que agora existe e ameaça gravemente o futuro da humanidade.

A ST deveria, consequentemente, nesse momento, estar enviando um aviso muito sério e forte conclamando seus membros, e por meio deles e de suas organizações para todo o mundo, para uma ação sincronizada visando ao menos impedir, se não diminuir, o crescimento e a atividade dessas tendências sobremodo adversas.

Os armamentos, é lógico, vêm em primeiro lugar e, a menos que as reuniões de SALT sejam bem sucedidas em alcançar seu objetivo de limitar os armamentos nucleares, como também de outros de grave capacidade de destruição, então uma Terceira Guerra Mundial não será de forma alguma uma impossibilidade.

Saudações para todos que, percebendo o perigo, estão levantando suas vozes! Continue com o aviso. Desta forma nós aconselhamos e, ao fazermos isso, obtemos a colaboração do maior número possível de membros de influência.

Prepare uma declaração forte e com poder de atração a respeito dessa situação e apresente-a por meio de artigo e gravações ao mundo. Todos os teósofos sérios certamente verão que a menos que o perigo seja evitado e reduzido, muitos outros movimentos idealistas serão enfraquecidos, falharão e até mesmo tornar-se-ão relativamente insignificantes, incluindo nosso Primeiro Objetivo (Formar um núcleo da Fraternidade Universal da Humanidade, sem distinção de raça, credo, sexo, casta ou cor.). Em seguida na lista de “COISAS GRAVES”, se uma expressão puder ser cunhada, está a tendência rapidamente crescente para a violência, brutalidade, perversidade, em muitas inter-relações, e outros crimes profundamente danosos e destrutivos não só dos corpos, mas também das condições psicológicas das emoções e das mentes de um número crescente de pessoas, desde crianças até adultos.

O único remédio e a única garantia contra esses dois males é, no mais elevado sentido, CONSIDERAÇÃO AMOROSA UNIVERSAL E PESSOAL PARA COM NOSSOS COMPANHEIROS HABITANTES DE NOSSO GLOBO – AMOR UNIVERSAL nas mentes, corações e ações. Procure declarar isso da forma mais eficaz possível.

Uma terceira – e de muitas formas mais horrorosa e revoltante para todos que são motivados pela bondade do coração – é a feroz imposição da crueldade sobre os seres humanos e os animais, que está sendo cuidadosamente planejada e deliberadamente fortalecida e intensificada. Ela também está aumentando tanto na sua extensão como na sua ferocidade. (Formule isso também da forma mais atraente que possível, em todas as declarações que puder fazer.)

A maldição da ganância por ganho monetário talvez devesse ser acrescentada às declarações acima, em particular em relação às atividades relacionadas com o álcool, tabaco, outras drogas, alimentos, vestuário e cosméticos, incluindo perfumes (brutalidade de tratamento do gato-almiscarado).
Um “desastre” adicional, como Nós estamos tentados a chamá-lo, é o fracasso da humanidade em dar atenção, coração, ouvido e vida para os ensinamentos, a sabedoria e a orientação tão abundantemente disponível em Brahma Vidya, Teosofia, chame-a como quiser.

As vozes que se elevam em favor dos ensinamentos eternos e de aplicação muito prática da Teosofia, infelizmente não estão sendo seriamente ouvidas pelos homens e mulheres do mundo profissional e laboral – talvez o maior desastre de todos, já que os outros males derivam-se deste. Uma dificuldade é que a intercomunicação entre nações, grupos e indivíduos está se tornando cada vez mais íntima, com o resultado que um mal num lugar pode mais rapidamente se espalhar para outro. Não seria isso também cada vez mais verdadeiro das declarações de compreensão dos remédios, especialmente da FRATERNIDADE DE TODA A VIDA?

A sua Seção da Nova Zelândia não poderia publicar um panfleto ou pequeno livro escrito por nós como acima, e usar todos os meios disponíveis para torná-lo popular por todo o mundo? Apresente uma exposição especial do carma. Procure também engajar o apoio entusiástico de ... e de quaisquer outros grupos de pessoas que possam responder a essas declarações e espalhar esse aviso e apelo à humanidade. Sim, até mesmo um filme colorido com palavras apropriadas bem que poderia ser produzido e ser muito efetivo.

A nota chave da Fraternidade de toda Vida deve ser soada, e você, com Nossa orientação e suas habilidades, está sendo mais uma vez chamado para garantir que ela seja reiterada e, o mais amplamente possível, ouvida e respondida.

Outra Mensagem de outro Mahatma, em 1978, também para Hodson: 


"A questão básica, especialmente aguda nesse momento, é a ameaça de guerra e a forma de assegurar uma paz mundial permanente. Isso é acentuado pelas últimas descobertas científicas dos principais países na produção de armas cada vez mais mortíferas e de outros meios de destruição em massa ou individual. Em outras palavras, o que realmente é preciso, muito urgentemente, Nós acreditamos, é o que poderia ser chamado de uma confraternização dos povos de todas as nações, especialmente daquelas com motivos não egoístas.


Os membros da raça humana devem nesse momento colaborar cada vez mais para enfrentar esse perigo e para sedimentar a fundação inabalável do esforço internacional organizado para a paz mundial. As Nações Unidas não é capaz de conseguir isso por muitas razões, uma das principais sendo a necessidade de evitar a saída e não cooperação das nações que estão em desacordo, aquelas procurando a dominação mundial, por exemplo.

Será que não chegou o momento em que milhares de milhões de pessoas, percebendo esses perigos, devam unir-se num esforço internacional que poderia ser chamado “UM CONVITE PARA SALVAR A RAÇA HUMANA DO PERIGO DA EXTINÇÃO MÚTUA”?

Outro problema grave consiste, como você sabe muito bem, do insensato aumento da crueldade por todo o mundo, do homem ao homem e do homem aos animais. As principais formas deveriam ser enumeradas juntamente com a formulação de um chamado para sua solução.

Um terceiro problema é a distribuição planetária de alimentos para cessar a morte de milhões, e a miséria resultante da fome de outros milhões. Por trás e em meio a tudo isso está a ânsia por mais poder, superioridade financeira e avanço tecnológico nacional adiante de outras nações em armas de guerra e desenvolvimentos e exportações industriais.

O chamado, então, talvez numa linguagem melhor seja: “OS SERES HUMANOS NA TERRA DEVEM SE UNIR”. O amor deve substituir o ódio direto e a ausência de amor no uso deliberado da
crueldade no interior dos países e além de suas fronteiras."


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Um Adepto comunicando à Hodson em 1980

"Nós não devemos ser demasiadamente pessimistas, especialmente para começar. Talvez pudéssemos começar fazendo uma lista de movimentos e ações irmãs incluindo, certamente, a fundação da Sociedade Teosófica, a Liga das Nações, as Nações Unidas, e os movimentos de irmandade internacional, como os Escoteiros, as Bandeirantes, UNESCO, WHO e todos os movimentos unificadores movidos pela compaixão, como o Fundo para a Salvação das Crianças, etc.

O que realmente é preciso, caso fosse possível a sua fundação e funcionamento, é um 
movimento para impedir, por lei se necessário, que os pais venham a espancar e machucar seus filhos. Além disso, um Movimento Internacional para o Bem Estar e a Fraternidade, para que seja disseminado por todos os países do mundo para reduzir o apavorante antagonismo político interno, que tende a “destruir as nações”.

O mesmo poderia ser verdade com relação às religiões e a fundação de um movimento de caráter mundial, em que todas as semelhanças entre as diferentes religiões poderiam ser enfatizadas e todas as diferenças ignoradas até que elas desapareçam.


Talvez algum tipo de apelo aos jovens do mundo para a fundação de um movimento internacional dos jovens, algo como... sem atributos indesejáveis, caso existam. Não o esporte, com seu pensamento demasiado separativo de competir e ganhar. Se existe um atributo humano, que entre outros precisa ser superado, é o ‘desejo de competir e vencer sempre’.

Se as campanhas contra a crueldade no mundo pudessem ser unificadas no espírito e na prática de ahimsa (inofensividade), então outro campo de separatividade poderia ser reduzido em tamanho e eficácia, ou seja, a crueldade para ganho financeiro, o prazer em matar e comer, armadilhas cruéis para animais para a vaidade e crueldade aos animais para a suposta preservação da saúde.


sábado, 26 de maio de 2018

Autoconhecimento ou autoilusão?

Autoconhecimento ou autoilusão?
- Amorosidade ou vaidade? "coach espiritual" ou ego perdido? Estamos nos enganando?
Alaya Dullius


Cuidadores e pessoas em busca de uma via espiritual geralmente são pessoas que se auto incentivam a praticar a generosidade, o compartilhar da sabedoria, o cuidado ao outro. Falamos de compaixão e de ajudar os que tem menos que nós. 
Auxiliar os outros é maravilhoso, não me entendam mal. Mas muitas vezes não nos capacitamos para sermos uma ferramenta de auxilio, nos auto-enganamos (por ilusões do ego, vaidade ou o que quer que seja..) e nos colocamoos como "superiores" aos outros. Na verdade queremos aplauso, mais do que ajudar.. e isso é um caminho perigoso.
Acho que sempre vale uma auto critica, uma auto reflexão.. "estou querendo ajudar as outras pessoas por uma motivação não egoísta genuína ou estou cheio de vaidade querendo parecer que tenho conhecimentos e 'poderes' quando na verdade estou mais perdido ainda"? Vejo muita gente super perdida dando orientação espiritual ou terapêutica...
Não estou aqui fazendo um julgamento, apenas refletindo (inclusive a crítica serve para mim mesma!); muitas vezes acabamos inconscientemente dominados por dissonâncias cognitivas e começamos a justificar tudo que acontece a partir de nossas crenças, e por estarmos perdidos, temos um impulso quase que visceral de querer ficar ajudando todo mundo a se encontrar, quando na verdade as vezes falta olhar para nós mesmos e encontrar um caminho mais equilibrado e perceber onde estão as dores que estão impulsionando esse motor, perceber que o impulso de ajudar é um grito de ajuda para nós mesmos, pois no fundo estamos perdidos..
Acredito que é preciso ter cuidado e discernir o que é uma atitude consciente de cuidar do outro e orientar com base em algo sério, e o que é um impulso patológico de dominar o outro , ou ter um poder vazio sobre o outro, ou nutrir um tipo de vaidade 'espiritual' e acabarmos assim alimentando nossos vícios egoicos ao querermos ser guias dos outros quando mal caminhamos com nossos próprios pés.
Em um texto budista encontramos o dizer "se não podes ser o sol, sê então o humilde planeta e aponta o caminho - por vagamente que o faças, e perdido entre a multidão - como a estrela da tarde àqueles que caminham pela escuridão." -- Mas o Budismo Mahayana também ensina que precisamos nos aperfeiçoar a nos mesmos para sermos melhores guias, senão seremos apenas cegos guiando cegos. "Não podes caminhar no Caminho enquanto não te tornares, tu próprio, esse Caminho." (Voz do Silêncio)
Em uma sociedade cheia de 'guias', 'coaches' e 'gurus', as vezes precisamos ter a humildade de olhar para dentro do nosso coração e nossa mente, e percebermos nossas reais intenções e nossa honesta capacidade, antes de nos empenharmos em "influenciar" outros. 
Aprender com sinceridade com aqueles que já caminharam antes de nós é importante para ter uma reta visão sobre o caminhar. Desprezar os livros e ensinamentos dos verdadeiros Sábios que já passaram por esse mundo, achando-nos auto suficientes e "livres", nada mais é que mais uma ilusão do ego. Este ego percebe a verdade da luz que habita em nós, mas não percebe a interdependência e unidade de tudo que vive, e não vê as sombras que ainda habitam em si.. e como Platão nos diz, confundem a luz do sol com as sombras, e tem a si mesmo em alta conta proferindo palavras bonitas mas vazias e contaminadas de vícios, vaidades e obscurecimentos. São flores perfumadas que escondem venenosas cobras em seu caule, pronta para dar o bote.. E o veneno volta para nós mesmos...
É preciso antes limpar o espelho da lama e do pó, para que então ele possa refletir a luz. Podemos até colocar uma voltagem maior na lampada, mas com um espelho sujo, refletiremos apenas mais ignorância. A luz se torna difusa e mais atrapalha do que ajuda. Uma reta motivação é generosa e compassiva, mas sem sabedoria e discernimento, ela apenas espalha mais trevas.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Introdução à Meditação - Um Guia Prático em vários vídeos!

Já pensou em começar uma prática meditativa e não sabe como? Eu estou criando um GUIA de vários vídeos sobre o assunto.


Meditação é muito mais do que ter atenção, e tem inúmeros benefícios! Meditação aumenta a concentração de serotonina no corpo, melhora a concentração, nos torna mais presentes e conscientes das nossas emoções. Meditação alivia estados de insonia, de ansiedade e depressão.
É muito mais do que sentar e fechar os olhos, não é "fazer nada", é um mergulho no si mesmo!
A meditação funciona como um aquietamento da mente, permitindo que nossa luz interior brilhe com mais clareza. Ela nos auxilia a limpar a mente das perturbações que afetam nosso cotidiano, nossos defeitos que impulsionados por desejos e aversões inconscientes influenciam nossa vida e nos impedem de encontrar a plenitude.
A meditação auxilia no cultivo de virtudes, e em uma vida mais serena e presente.

Quer aprender a meditar? Acompanha meus vídeos!




Por Que meditar?! Os Benefícios da prática da meditação!




Dicas Práticas 1 - Local e Horário de meditação



Dicas Práticas 2 - Postura e Respiração



Retomando: Postura, Local e Começando novamente

A Prática da Meditação - Estabilidade emocional, Estímulo e Sonolência.  Plena atenção mental

Lidando com o foco meditativo. Mantras. Transformando as Emoções e Acalmando os Pensamentos

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Um canal no YouTube para falar sério sobre Filosofia, Espiritualidade e Religiões!!

Cansado de papos auto ajuda? Queria se aprofundar nos ensinamentos das grandes religiões e filosofias? Quer ter acesso ao que dizem os textos base de tradições filosóficas, de autores da espiritualidade? 


Criei um canal no Youtube! O VIVEKA! Se inscreva! https://www.youtube.com/channel/UCCcdmziTskoXVjfGrpqZz0Q


Não é um canal auto ajuda, não sou "coach" espiritual de ninguém, não vou falar do poder do pensamento positivo nem te ensinar a conquistar pessoas em 10 lições!Mas vou compartilhar anos de estudos, temas diversos, vou direto nas fontes, nos textos clássicos, nos ensinamentos de diversas tradições que passam pelo budismo, filosofias da Índia, filosofia grega, cristianismo primitivo, místicos medievais, hermetismo, teosofia, meditação e tudo o mais!

Além de acupunturista também sou mestre em filosofia, e por muitos anos imergi nesse mundo de estudos da alma. Já dei cursos e palestras, e então pausei. Mas decidi voltar, então por que não compartilhar os estudos e práticas que tive acesso?!

Chega mais! Esse é meu vídeo de apresentação:


  • Já pensou em começar uma prática meditativa e não sabe como? Eu estou criando um guia de vários vídeos sobre o assunto. Acompanhe o blog e o canal e aproveite as dicas!






quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Alquimia e Rosacruzes - Atalanta Fugiens de Michel Maier

A tradução do poema do prólogo
(para o texto completo em inglês visite http://www.levity.com/alchemy/atalanta.html)

O texto se refere ao prólogo de uma obra entitulada “Atalanta Fugiens”. Trata-se de uma obra de cunho alquímico/esotérico, redigida no séc XVII em um ambiente quase que Shakesperiano por um rosacruz chamado Michael Maier. O poema é a introdução de um texto extremamente simbólico e complexo. Alguns estudiosos ingleses consideram que o próprio Shakespeare tinha conhecimento do conteúdo professado por essas “Sociedades Secretas” e não é de se admirar que algumas de suas obras estejam repletas de elementos simbólicos como “vesti-me de sol” e outras passagens que encontramos. Shakespeare também fazia grande uso de mitologias gregas, e é o que vemos nesse poema. A história de Atalanta é um mito grego. Atalanta era uma espécie de ‘Artémis/Diana’, rápida e enérgica, e desejava um esposo à sua altura. Em uma corrida decidiu-se que aquele que ganhasse dela poderia desposá-la, mas se perdesse, perderia também a vida. Hippomenes apaixonou-se por Atalanta e pediu a Afrodite que o ajudasse a vencer a corrida. Esta lhe deu maçãs de ouro para distrair Atalanta no caminho e assim Hippomenes conseguiu ser vitorioso. Porém em sua felicidade tomou Atalanta muito rapidamente em seus braços, em um Templo de uma Deusa, e esqueceu-se de agradecer a ajuda, sendo assim, a Deusa sentiu-se profanada e transformou-os em dois leões vermelhos. Michel Maier faz uma pequena adaptação dessa história e a insere em um contexto simbólico alquímico.



Atalanta Fugiens
The epigram of the Author

Three Golden Apples from the Hesperian grove.
   A present Worthy of the Queen of Love.
Gave wise Hippomenes Eternal Fame.
   And Atalanta's cruel Speed O'ercame.
In Vain he follows 'till with Radiant Light,  
   One Rolling Apple captivates her Sight.  
   And by its glittering charms retards her flight.  
She Soon Outruns him but fresh rays of Gold,
   Her Longing Eyes & Slackened Footsteps Hold,
'Till with disdain She all his Art defies,
   And Swifter then an Eastern Tempest flies.
Then his despair throws his last Hope away,
   For she must Yield whom Love & Gold betray.
What is Hippomenes, true Wisdom knows.
   And whence the Speed of Atalanta Flows.
She with Mercurial Swiftness is Endued,
   Which Yields by Sulphur's prudent Strength pursued.
But when in Cybel's temple they would prove
   The utmost joys of their Excessive Love,
The Matron Goddess thought herself disdained,
   Her rites Unhallowed & her shrine profaned.
Then her Revenge makes Roughness o'er them rise,
   And Hideous feireenesse Sparkle from their Eyes.
Still more Amazed to see themselves look red,
   Whilst both to Lions changed Each Other dread.
He that can Cybell's Mystic change Explain,
   And those two Lions with true Redness stain,
Commands that treasure plenteous Nature gives
   And free from Pain in Wisdom's Splendor lives.


Tradução

Atalanta Fugiens
(tradução de Alaya Dullius)
A epigrama do Autor

Três maçãs douradas do arvoredo Hesperiano.
Um presente digno da Rainha do Amor.
Deram ao sábio Hippomenes Fama Eterna.
Mas a prontidão cruel de Atalanta se sobrepôs.
Em vão ele seguiu enquanto a luz ainda radiava,
Uma maçã roliça a vista dela cativava.
E o charme reluzente da maçã seu vôo retardava.
Logo ela joga a ele frescos raios dourados,
Mantém seus olhos ansiosos e passos descuidados.
Ainda assim com desdém ela desafia toda a habilidade dele,
E foge mais rápido que uma tempestade do leste .
Então o desespero tira dele a última esperança,
Pois ela deve gerar aquele que Amor e Ouro traem.
O que é Hippomenes, a verdadeira Sabedoria sabe.
E por que razão flui Atalanta com tanta rapidez.
Ela é dotada com a vivacidade do Mercúrio,
Produzido pela força prudente de Exnofre exercida.
Mas quando no templo de Cibele provaram
As maiores alegrias de seu amor excessivo,
A Deusa Mãe sentiu-se desdenhada,
Seus ritos desacreditados, seu santuário profanado.
Então sua vingança sobre eles foi severa,
Terríveis labaredas faiscaram de seus olhos.
Ainda mais assombrados ao verem-se vermelhos,
E com temor ambos em leões foram transformados.
Aquele que explicar a mudança mística de Cibele,
E dos dois leões tingidos de um verdadeiro vermelho,
Comanda o tesouro abundante que a natureza dá
E vive livre da dor no esplendor da Sabedoria.


segunda-feira, 30 de outubro de 2017

A visão filosófica de um Mahatma Budista sobre Deus

Carta de um Mahatma sobre Deus (ou, a visão de um budista sobre Deus)


[O texto mais coerente e filosófico que já li sobre o tema - Alaya]

 Copiada por A.P.S., 28  set. 1882, em Simla, Índia.


  1. “Nem a nossa filosofia, nem nós próprio acreditamos em um Deus, e muito menos em um Deus cujo pronome necessita de uma inicial maiúscula. Nossa filosofiase encaixa na definição de Hobbes. Ela é preeminentemente a ciência dos efeitos pelas causas e das causas por seus efeitos, e já que ela é também a ciência das coisas surgidas do primeiro princípio, segundo a definição de Francis Bacon, antes de admitir qualquer primeiro princípio devemos conhecê-lo, sem o que não temos o direito de admitir nem mesmo sua possibilidade.
  2. Foi lhe dito que nosso conhecimento estava limitado ao nosso sistema solar: portanto, como filósofos que desejam ser dignos do nome, não poderíamos negar nem afirmar a existência do que você qualificou como um ser supremo, onipotente, inteligente, de um tipo além dos limites do sistema solar.
  3. Mas embora tal existência não seja absolutamente impossível, a menos que a uniformidade da lei da natureza se rompa naqueles limites, nós sustentamos que é altamente improvável. Mesmo assim, rejeitamos de modo extremamente enfático a posição do agnosticismo neste sentido, e com relação ao sistema-solar. Nossa doutrina não conhece meios termos. Ela afirma ou nega, porque só ensina aquilo que sabe que é verdade. Portanto, nós negamos a Deus como filósofos e como budistas. Sabemos que há vidas planetárias e outras vidas espirituais e sabemos que em nosso sistema solar não existe coisa tal como Deus, seja pessoal ou impessoal. Parabrahm não é um Deus, mas a lei absoluta e imutável, e Ishwara é o efeito de Avidya e Maya, ignorância baseada na grande ilusão.
  4. A palavra “Deus” foi inventada para designar a causa desconhecida daqueles efeitos que o homem tem adorado ou temido sem entender, e já que nós alegamos que somos capazes de comprovar o que alegamos – isto é, que conhecemos aquela causa e outras causas – temos condições de sustentar que não há Deus ou Deuses atrás daqueles efeitos.
  5. A idéia de um Deus não é uma noção inata, mas adquirida, e nós só temos uma coisa em comum com as teologias – nós revelamos o infinito. Mas enquanto atribuímos causas materiais, naturais, sensíveis e conhecidas (por nós pelo menos) a todos os fenômenos que procedem do espaço, da duração e do movimento infinitos e ilimitados, os teístas atribuem a eles causas sobrenaturais, inteligíveis e desconhecidas.
  6. O Deus dos teólogos é simplesmente um poder imaginário, um bicho papão. Nossa principal meta é libertar a humanidade deste pesadelo, ensinar ao homem a virtude pelo bem da virtude, e ensiná-lo a caminhar pela vida confiando em si mesmo, ao invés de depender de uma muleta teológica que por eras incontestáveis foi a causa direta de quase toda miséria humana.
  7. Se as pessoas estiverem dispostas a aceitar como Deus nossa VIDA UNA, imutável e inconsciente em sua eternidade, poderão fazê-lo e assim manter mais um gigantesco equívoco de denominação. Mas então terão de dizer como Spinoza que não há e não podemos conceber qualquer substancia além de Deus, conforme aquele famoso filosofo diz em sua décima-quarta proposição: “praeter Deum neque dari neque concipi potest substantia” – e assim tornarem-se panteístas.
  8. Quem, exceto um teólogo formado no mistério e no mais absurdo sobrenaturalismo o de imaginar um ser auto-existente, necessariamente infinito e onipresente, FORA do universo manifestado que NÃO TEM FRONTEIRAS? A palavra infinito é apenas uma negativa que exclui a idéia de limites. É evidente que um ser independente e onipresente não pode estar limitado por nada que seja externo a ele; que não pode haver nada externo a ele – nem mesmo vácuo, portanto, onde haverá espaço para a matéria? Para aquele universo manifestado, mesmo que este último seja limitado? Se perguntarmos para os teístas se o Deus deles é vácuo, espaço ou matéria, eles responderão que não. E no entanto sustentam que o Deus deles penetra a matéria embora ele próprio não seja a matéria. Quando nós falamos da nossa Vida UNA, também dizemos que ela não só penetra, mas é a essência de cada átomo de matéria; e que, portanto, ela não apenas tem correspondência com a matéria, mas possui também todas as suas propriedades. Conseqüentemente, também é material e a própria matéria.
  9. Como poderia a inteligência proceder ou emanar da não-inteligência? “ - você insistia em perguntar no passado. “Como poderia uma humanidade inteligente ter evoluído a partir de um lei ou força cega, não-inteligente!” Mas um vez que raciocinamos nesta direção, eu posso perguntar por minha vez, como poderiam deficientes mentais congênitos, animais que não raciocinam e o resto da ‘criação’ ter sido criados ou haver evoluído a partir de uma Sabedoria Absoluta, se esta última é um ser pensante inteligente, o autor e governante do Universo? Como? “Deus fez o olho e não enxergará?” Deu fez o ouvido e não escutará?”.  De acordo com este modo de pensar eles teriam que admitir que, ao criar um deficiente mental, Deus é um deficiente mental; que aquele que fez tantos seres irracionais, tantos monstros físicos e morais, deve ser irracional...
  10. Nós não somos advaitas, escola não dualista da tradição dos Vedas que foi fundada por Sankarahcaria, mas nosso ensinamento com respeito à Vida Una é idêntico ao dos advaitas com relação a Parabrahma. E nenhum verdadeiro advaita treinado filosoficamente jamais se identificará com um agnóstico, porque sabe que ele é Parabrahma e idêntico em todos os aspectos à vida universal – o macrocosmo e o microcosmos, e sabe que não há Deus separado dele, nenhum criador, como nenhum ser. Tendo encontrado a gnosis, nós não podemos nos esquecer e transformar-nos em agnósticos.
  11. ... Se fôssemos admitir que até mesmo os mais altos Budas podem cair em alguma ilusão, então de fato não haveria realidade para nós. Se há um absurdo em negar aquilo que não conhecemos, é ainda mais absurdo atribuir a ele leis desconhecidas.
  12. Segundo a lógica, o “nada” é aquilo do qual tudo pode ser corretamente negado e do qual nada pode ser corretamente afirmado. No entanto, de acordo com teólogos, “Deus, o ser auto-existente, é extremamente simples, imutável, incorruptível; sem partes, sem figura, movimento, divisibilidade ou quaisquer outras propriedades como estas, que encontramos na matéria. Porque todas estas coisas implicam muito clara e necessariamente finitude em sua própria noção, e estão totalmente afastadas da infinidade completa”. Portanto, o Deus oferecido à adoração no século XIX perde toda qualidade sobre a qual a mente do homem seja capaz de ter qualquer julgamento. O que é isto, na verdade, além de um ser do qual eles não podem afirmar COISA ALGUMA que não seja negada instantaneamente?
  13.  A própria Bíblia deles, no Apocalipse , destrói todas as perfeições morais que eles empilham sobre esse ‘Deus’, a menos, de fato, que qualifiquem como perfeições aquelas qualidades que a razão e o senso comum de qualquer homem comum chamam de vícios odiosos e maldade brutal. Quem lê as nossas escrituras budistas, as escritas para as massas supersticiosas, não encontrará nelas um DEMÔNIO tão vingativo, injusto e cruel quanto o tirano celestial ao qual os cristão atribuem perfeições negada em cada página da sua Bíblia. A Teológia criou o Deus dela apenas para destruí-lo pedaço por pedaço. A Igreja de vocês é o Saturno do mito, que tem filhos apenas para devorá-los.
  14. Negamos a existência de um Deus pensante, consciente, com base em que um tal Deus deveria ser condicionado, limitado, sujeito a mudança, e portanto, não infinito. E se ele for descrito para nós como um ser eterno, imutável e infepedente, sem partícula alguma de matéria em si, então responderemos que ele não é um ser, mas um princípio imutavel e cego, uma lei. Rejeitamos a proposição absurda de que pode haver, mesmo em universo ilimitado e eterno, duas existências eternas e onipresentes.
  15. Quanto a Deus, já que ninguém jamais e em tempo algum o viu – a menos que ele seja a própria essência da Natureza, sua energia e seu movimento, não podemos vê-lo como eterno, infinito ou auto-existente. Nós nos recusamos a admitir a existência de um ser do qual nada se sabe; porque não há espaço para ele na presença daquela matéria cujas qualidades nós conhecemos bem, porque se ele é apenas uma parte daquela matéria, seria ridículo sustentar que ele movimenta e governa aquilo de que ele é apenas uma parte dependente e porque se nos dizem que Deus é um puro espírito auto-existente e independente da matéria – uma deidade extra cósmica - nós respondemos que mesmo admitindo a possibilidade de tal impossibilidade, isto é, a existência dele, nós sustentaríamos que um espírito puramente imaterial não pode ser um governante consciente e inteligente, nem pode ter nenhum dos atributos atribuídos a ele pela teologia, assim, um tal Deus se tornaria novamente um força cega natural.
  16. A inteligência torna necessário o pensamento; para pensar alguém deve ter idéias; idéias supõem sentidos, que são físicos e materiais, como pode qualquer coisa material pertencer ao puro espírito? Se for feita a objeção de que o pensamento não pode ser uma propriedade da matéria, nos perguntaremos: por quê?
  17. Nós não inclinamos nossas cabeças até o pó do chão diante do mistério da mente – porque já o resolvemos eras atrás. Rejeitando com desprezo a teoria teísta, rejeitamos ao mesmo tempo a teoria do autômato, que ensina que os estados de consciência são produzidos pela disposição das moléculas do cérebro. Então, em que acreditamos? Acreditamos na matéria como natureza visível e produtora de causa e na matéria em sua invisibilidade, com seu movimento incessante que é a sua VIDA.
  18. Nossas idéias a respeito do mal são que o mal não tem existência por si mesmo e é apenas a ausência do bem; existe apenas para aquele que é transformado em sua vítima. Surge de duas causas e, tanto quanto o bem, não é uma causa independente da natureza. A natureza é destituída de bondade ou maldade, apenas segue leis imutáveis quando dá vida ou morte, cria ou destrói. A natureza tem um antídoto para cada veneno e suas leis possuem uma recompensa para cada sofrimento.
  19.  O verdadeiro mal surge da inteligência humana e sua origem está inteiramente no homem que raciocina e se dissocia da Natureza. A humanidade, portanto, é a verdadeira fonte do mal. O mal é produto do egoísmo e da ganância, gerados pela ignorância. Pense profundamente e descobrirá que, com a exceção da morte – que não é um mal mas uma lei necessária – e de acidentes, que sempre terão sua recompensa em uma vida futura – a origem de cada mal está na ação humana, no homem, cuja inteligência faz dele o único agente livre da natureza.
  20. Não é a Natureza que cria doenças, mas o homem. O destino do homem na economia da natureza é ter uma morte natural provocada pela velhice; salvo acidentes, nenhum homem selvagem ou animal livre morrem devido a doenças. Comida, bebida, relações sexuais, são necessidade naturais da vida; no entanto, o excesso delas traz doença, miséria, sofrimento mental e físico; e estes últimos são transmitidos como os maiores males para as gerações futuras, os descendentes dos culpados.
  21. A ambição, o desejo de assegurar a felicidade e conforto para aqueles que amamos através da obtenção de honras e riquezas são sentimentos naturais, mas quando  eles transformam o homem num tirano cruel e ambicioso, um miserável, um egoísta, trazem miséria indescritível para os que estão ao redor dele; e para nações tanto quanto para indivíduos. Tudo isso então – comida, riqueza, ambição e outras mil coisas que deixamos de mencionar – se torna fonte e causa do mal, seja por causa de sua abundância ou devido à sua ausência. Torne-se um glutão, um devasso, um tirano, e você se transforma em um gerador de doenãs, de sofrimento e miséria humanos. Deixe de lado tudo isso e você passa fome, é desprezado como um ninguém, e a maior parto do rebanho, os seus semelhantes, transforma você em um sofredor a vida toda. Portanto, não é a natureza nem uma divindade imaginária que devem ser acusadas, mas a natureza humana transformada em algo mau pelo egoísmo. Pense bem sobre estas poucas palavras; identifique a causa de cada mal em que voocê pode pensar e localize a sua origem e terá resolvido uma terça parte do problema do mal.
  22. E agora, depois de deixar de lado, como é devido, os males que são naturais e não podem ser evitados – e eles são tão poucos que eu desafio todo o conjunto dos metafísicos ocidentais a qualificá-los como males ou atribuir-lhes uma causa independente – direi a você qual é a maior, a principal causa de cerca de dois terços dos males que perseguem a humanidade desde que esta causa se tornou um poder. É a casta sacerdotal, o clearo e as igrejas; é nestas ilusões que o homem vê como sagradas, que ele deve procurar a fonte daquele sem-número de males, que é a grande maldição da humanidade e que quase tomina totalmente o gênero humano.
  23. A ignorância criou Deuses e a astúcia aproveitou a oportunidade. Além disso, um sentimento constante de dependência a uma Divindade vista como a única fonte de poder faz com que um homem perca toda autoconfiança e o impulso para a atividade e a iniciativa. É um pecado atribuir a um Deus a tarefa de libertar as pessoas de si mesmas. Veja a Índia, veja a cristandade, o Islamismo, o Judaísmo e o fetichismo. Foi a impostura do clero que fez com que estes deuses passassem a ser tão terríveis para o homem; é a religião que o transforma no beato egoísta e fanático que odeia toda a humanidade fora de sua própria seita, sem torná-lo em nada melhor ou mais ético por isso. É a crença em Deus e Deuses que faz dois terços da humanidade escravos de um punhado daqueles que os enganam com o falso pretexto de salvá-los. O homem não está sempre pronto a cometer qualquer tipo de maldade se lhe disserem que seu Deus exige o crime- vítima voluntária de um Deus ilusório, escravo abjeto de seus ministros astuciosos? Os camponeses passarão fome e verão suas famílias famintas e sem roupa para alimentar e vestir seu padre e seu papa. Durante dois mil anos a Índia gemeu sob o peso das castas, com os brâmanes engordando só a si mesmos. E hoje os seguidores do Cristo e os de Maomé - que foram seres iluminados e tiveram sua mensagem distorcida pela ignorância dos homens - estão cortando as gargantas uns dos outros em nome de seus respectivos mitos. A soma da miséria humana nunca será diminuída até aquele dia em que grande parte da humanidade destruir, em nome da Verdade e da Compaixão, os altares de seus falsos deuses.
  24. Se for feita a objeção de que nós também temos templos, de que nós também temos sacerdotes e que nossos lamas também vivem da caridade... que se saiba que os objetos mencionados acima só têm o nome em comum com seus equivalentes ocidentais. Em nossos templos não há um deus ou deuses adorados, apenas o respeito à memória do mais iluminado dos homens. Se nossos lamas, para honrar a fraternidade dos Bhikkhus, estabelecida pessoalmente pelo nosso abençoado mestre, saem para serem alimentados pelos leigos, este últimos, em números que vão de 5 a 25.000, são alimentados e cuidados pela Sangha (a fraternidade de monges lamáicos), e a lamaseria atende as necessidades dos pobres, dos doentes e dos aflitos. Nossos lamas aceitam comida, nunca dinheiro, e em nossos templos a origem do mal é explicada e transmitida ao povo. Lá são ensinadas as quatro nobres verdades e a cadeia de causação interdependente (nidanas), que lhes dá uma solução para o problema da origem do sofrimento e sua destruição.
  25. Leia o Mahavagga e tente compreender, não com a mente ocidental preconceituosa, mas com o espírito de intuição e de verdade o que o Buda Iluminado diz no 1º Khandhaka. Permita que eu traduza para você.
  26. “Na época em que o abençoado Buda estava em Uruvela, às Margens do rio Neranjara, quando descansava sob a árvore da sabedoria Bodhi, mantendo sua mente fixa na cadeia de causação (nidanas) ele falou assim: ‘da Ignorância (avidya) surgem os samskharas (germes e tendências karmicas estabelecidos em vidas anteriores fruto de impressões deixadas na mente pelas ações e circunstâncias)... os samskharas de natureza tríplice – produtos do corpo, da fala e do pensamento. Dos samskharas surge consciência, da consciência surgem nome e forma, deles surgem as seis regiões dos sentidos; deste surge o contato, deste a sensação; desta surge a ânsia e desejo, e disso o apego, a existência, o nascimento, a velhice, a morte, a aflição, a lamentação, o sofrimento, o desânimo e o desespero. No sentido inverso, pela destruição da Ignorância, raiz do sofrimento, os samskharas são destruídos, e a consciência deles, nome e forma, as seis regiões, o contato, a sensação, o apego (egoísmo), a existência, nascimento, velhice, morte, o sofrimento são destruídos. Assim é a cessação de toda essa massa de sofrimento.”
  27. Sabendo disso, o Ser Abençoado fez esta afirmação solene:
  28. “Quando a natureza real das coisas se torna clara para o Bhikshu que medita, então suas dúvidas desaparecem, já que ele compreendeu qual é aquela natureza e qual a sua causa. Da ignorância surgem todos os males. Do conhecimento interior (que os gregos chamam Gnosis) vêm a cessação desta massa de infelicidade, e então o brâmane que medita ergue-se dispersando as hostes de Mara como o sol ilumina o céu.”
  29. Meditação aqui significa as qualidade dos sidhis (que não são sobrenaturais), ou a condição de Arhat nos seus mais altos poderes espirituais."
Esta carta foi escrita no século XIX por um oriental, representante do budismo Mahayana/Vajrayana, que conheceu o ocidente e neste fez um amigo. Seu amigo ocidental lhe questionou sobre a questão de Deus e o Bodhisatva respondeu -  em “Cartas dos Mahatmas para A.P.Sinnet”