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segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Introdução ao Budismo - Sidharta e as Quatro Nobres Verdades - O sofrimento e o caminho de Libertação


Introdução Ao Budismo - Parte 1
Sidharta, o Buda. Sua história, as primeiras escolas, o primeiro ensinamento. As quatro nobres verdades, a origem do sofrimento e o caminho óctuplo - no vídeo abaixo:



Buda-Dharma

É uma tradição filosófico-religioso-psicológica que explicita como seu objetivo oferecer ensinamentos e práticas, um modo de vida que leve a eliminar o sofrimento e alcançar a felicidade, a Libertação do sofrimento e de suas causas, experimentar a Iluminação.  O Budismo expressa-se sob muitas formas: escolas, tendências, linhagens. 


               
“O estudar começa pelo ouvir e o ler sobre o Dharma (os ensinamentos de Buddha).
                O primeiro benefício é aprender os pontos essenciais (enfatizados no Lamrim).
                O ouvir e o estudar conduz à eliminação da escuridão da ignorância (Aryasura).”

 Não devemos ficar satisfeitos com 2 ou 3 anos de estudo. Os sábios mestres estudaram 25 ou 30 anos e são sentem que conhecem tudo.  Trijang disse: “Eu li o Lamrim extenso (de Tsongkhapa) uma centena de vezes”. E acrescentou: “Um dia de estudo com um mestre espiritual é centenas de vezes mais valioso do que todo um ano de retiro repetindo sílabas...”. O mais importante fator do sucesso nos estudos é a aproximação da mente de uma reta motivação. Os atuais Geshes têm enfatizado que o budismo é uma 'filosofia viva' - algo para se estudar, aprender e colocar em prática.

Sidharta Gautama e o Budismo Mahayana

Sidharta Gautama, O Buddha (O Desperto/O iluminado), nascido em Lumbini -oeste do Nepal-, próximo a Kapilavastu, no reino dos Sakyas. Estima-se que viveu entre 643-563 a.C.  Um Buddha é alguém que completou a jornada da senda dos Bodhisattvas e alcançou o último estágio (bhumi).

Diz a lenda que partiu do palácio de seu pai aos 29 anos e se envolveu com práticas de ascetismo, com as quais rompeu após 6 anos de prática. Sidarta tornou-se um Buda numa noite de lua cheia no mês de maio, quando tinha 35 anos, e por 45 anos ensinou para diversos grupos diferentes por toda a Índia.
Grupos diversos sugiram, em Kashmir os Mahasangikas deram origem à tradição Mahayana. No século VIII d.C. Shantarakshita leva o budismo ao Tibete.  Diversos budismos: Theravada, Mahayana, Vajrayana; Diversas escolas.



As 4 Nobres Verdades

Ao ensinar começou indicando qual é a situação dos homens na existência, que em síntese é nascer, crescer e morrer.

As 4 verdades são:
                a- duhkha : a verdade da existência do sofrimento
                b- avidya : a verdade da causa-raiz do sofrimento
'               c- nirodha : a verdade sobre a cessação do sofrimento
                d- o caminho para a cessação do sofrimento    


               
O Óctuplo caminho:

- reta compreensão
- reto entendimento
- reta palavra
- reta ação
- reto meio de vida
- reta energia/entusiasmo (virya)
- reta atenção (dhyana)
- reta contemplação (samadhi)

Três tipos de duhkha:
1.duhkha-duhkha (o sofrimento propriamente dito – dor física, doenças, morte etc)
 2. Vipanirama-duhkha (o sofrimento associado à impermanência, psicológico).
3. samskara-duhkha (o sofrimento como tendência existencial. Sofrimento resultante das formações mentais , dos agregados que compõem o 'eu' aparente. As perturbações (kleshas) geradas pelo pensamento.)


O termo sofrimento é muito sintético. O termo usado em sânscrito foi duhkha e é bastante rico de sentidos, pois inclui a situação insatisfatória da existência, a dor gerada pelo entendimento da impermanência e da finitude da vida (o estar em direção à morte), a tristeza, a angústia, a ansiedade, a depressão, todas as dores físicas e psicológicas. Há ainda um mecanismo inconsciente que dá sustentação a duhkha e que é gerado por uma visão em relação à existência de um “eu” individual, concreto e separado de todos e de tudo.

                - 'O sofrimento é para ser plenamente conhecido.
                   A fonte do sofrimento é para ser eliminada.
                   A cessação do sofrimento é para ser vivenciada diretamente.
                   A senda que conduz à cessação do sofrimento é para ser cultivada'.
                   (Lalitavistara Sutra)

                - 'Estas são as nobres verdades do sofrimento: nascer é sofrimento, envelhecer é sofrimento, adoecer é sofrimento, morrer é sofrimento. Aflição, lamentação, dor, pesar e desespero são sofrimento. Estar unido com aquilo que não gostamos e estar separado daquilo que gostamos é sofrimento. Não obter aquilo que desejamos é sofrimento. Os cinco grupos de agregados (skandhas) são sofrimento' .  (versão Theravada)

As Três Jóias – Os Três refúgios
·         o Buda;
·         o dharma, o ensinamento
·         a sangha, a comunidade espiritual de instrutores budistas

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Ganância espiritual e querer dominar tudo sem ser profundo em nada

Sobre "Gula" espiritual e superficialidade
*Por Bruno Carlucci


Há muito tenho evitado postar sobre espiritualidade em redes sociais, pois aqui as coisas se banalizam ou acabam em discussões infrutíferas. Não tenho necessidade de convencer ninguém, nem estou disposto a ser convencido por ninguém. Nem esse texto é uma indireta específica direcionada a alguém. É só um desabafo/reflexão mesmo a que cheguei esses dias: Uma das coisas que mais me preocupa na tentativa de estabelecer uma rotina de estudos e de vida coerente com a busca espiritual são a dispersão e a gula. Tempo e foco são um problema. Não chegamos a lugar algum na vida sem foco, sem metas claras e temos que usar o nosso tempo para isso, claro, tudo amparado por uma reta motivação, uma ética adequada. Ensina o budismo que tempo é uma das coisas mais preciosas que temos, pois nunca sabemos o dia de amanhã.
Mesmo que nenhuma tragédia aconteça, pode vir um novo emprego, um filho, um casamento, um compromisso da vida diária que reduz o tempo que temos para nos dedicar ao estudo e à prática. Percebo uma "culpa" teosófica em muita gente e em grupos que sentem que precisam estudar uma legião de tradições espirituais ao mesmo tempo e o foco se perde. A culpa é alimentada por uma gula, porque de fato há muitas tradições idôneas que precisam ser estudadas, mas com a gula se busca abraçar tudo e a dispersão e a confusão só aumentam. Acabamos com um exército de doutores em tudo e em nada ao mesmo tempo.
As pessoas se apegam aos conceitos, se apegam à imagem de "ser alguém que estuda muitas tradições e entende de todas elas" e daí vem um ciclo vicioso, em que as pessoas estão sempre pulando de galho em galho e voltando para o galho anterior, reciclando as mesmas palestras, a mesma verborragia de conceitos e bate-boca, porque já são "doutoras" e já dominam tudo, mesmo que na verdade nem tenham uma ligação, um vínculo com aquela tradição, mas em sua dispersão se enganam e se convencem de que se identificam com tudo.
Ou pior, a gula gera vaidade e a vaidade faz com que a pessoa queira falar até mesmo do que não estudou, ou do que só estudou "superficialmente" e daí vem o plágio, começa-se a roubar a experiência, a fala das outros. O noviço (às vezes nem isso) quer se mostrar tão doutor quanto o Lama. A vaidade gera a mentira, a pessoa quer ser admirada, adulada, gosta de sair contando por aí acerca dos elogios que recebeu, gosta quando a comparam e dizem que sua palestra foi melhor que a do fulano, que o seu texto está impecável, que a sua tradução não tem erros, seus olhos brilham quando alguém lhe promete um cargo ou uma posição de destaque no grupo.
A pessoa passa a se achar "o senhor do primeiro raio", a raposa que lidera as ovelhas, na ânsia de compensar algum tipo de carência ou frustração mal resolvida na vida pessoal ou profissional, ela começa a competir com os outros para ser o centro das atenções e derrotar os seus rivais. Então, inconscientemente e, cada vez mais, conscientemente a pessoa se volta contra aqueles que a ensinaram, contra seus colegas, contra as inclinações naturais de sua própria alma e abrem-se as portas, para a pessoa que é doutora de tudo, "senhora do primeiro raio", projeto de Avatar e salvador da humanidade, cheia de gula e de raiva, arrogância e megalomania, a se dispersar ainda mais e começar a espalhar ensinamentos distorcidos.
Começa com um pequeno desvio aqui e ali, na ânsia de se mostrar autoridade daquilo que ela não domina, e acaba por, nos casos mais graves, a explorar caminhos não-idôneos e experimentar toda a severidade com que o Senhor do Tempo lhe presenteará em resposta. Pois este é um deus que não perdoa. E mais uma vida se vai, mais problemas para a próxima. Assim a roda gira.
 

Se a sua alma não grita, se o seu coração não chora por um determinado assunto, por uma determinada tradição espiritual, não considere a si mesmo especialista ou interessado em algo que não é, pois curiosidade não é interesse. Não banalize o que é sagrado. Não engane os outros, nem a si mesmo. 
Se não há reta motivação, ética, coerência mínima com que se pretende ensinar, silencie. Não prometa o que não pode oferecer. Vivemos em tempos de muitos pretensos especialistas e pouco estudo, muitos falantes e poucos ouvintes, muita dispersão e barulho, mas pouca reflexão e silêncio. 

Outra coisa que tenho pensando em conversas com amigos: claro que na história houve contatos entre diferentes tradições, mas os Iniciados de cada tradição se focaram e se especializaram naquela tradição a que estavam mais vinculados e, certamente, não por preconceito, mas porque muito dificilmente alguém consegue se aprofundar igualmente em vários caminhos ao mesmo tempo. Não vejo nada de errado em estudar mais de uma tradição (até porque eu mesmo faço isso), até para comparar e aprender coisas que podem ser úteis para a aquela tradição principal, aquela que mais grita no coração. Claro que podemos nos identificar com mais de uma, afinal, estamos aí renascendo a todo século (não, não acredito literalmente no papo de 1000 anos de "devachan", sinto muito), mas aí temos que ser sinceros conosco e refletir sobre o que, na vida presente, vibra mais em nossa mente, em nossa alma.
A maior parte dos casos de pessoas que vejo dizerem se identificar igualmente com todas ou estão confusas e se desviando de um trabalho que poderiam fazer com aquela que lhes traz mais clareza ou usando a curiosidade como rota de fuga para não terem de se aprofundar num determinado caminho. Claro, conheço exceções, mas são casos de pessoas realmente excepcionais que saem do universalismo superficial e têm um discernimento que poucos têm, além da "sorte" de ter muito tempo disponível e disciplina para usá-lo.

HPB diz num texto que muitos iniciados têm um intelecto abaixo da média, pois o mais importante no caminho é a pureza de princípios, a sinceridade na busca, uma boa intuição e discernimento. Claro que desenvolver e usar o intelecto é útil e importante, mas não dissociado desses outros pontos.

sábado, 26 de maio de 2018

Autoconhecimento ou autoilusão?

Autoconhecimento ou autoilusão?
- Amorosidade ou vaidade? "coach espiritual" ou ego perdido? Estamos nos enganando?
Alaya Dullius


Cuidadores e pessoas em busca de uma via espiritual geralmente são pessoas que se auto incentivam a praticar a generosidade, o compartilhar da sabedoria, o cuidado ao outro. Falamos de compaixão e de ajudar os que tem menos que nós. 
Auxiliar os outros é maravilhoso, não me entendam mal. Mas muitas vezes não nos capacitamos para sermos uma ferramenta de auxilio, nos auto-enganamos (por ilusões do ego, vaidade ou o que quer que seja..) e nos colocamoos como "superiores" aos outros. Na verdade queremos aplauso, mais do que ajudar.. e isso é um caminho perigoso.
Acho que sempre vale uma auto critica, uma auto reflexão.. "estou querendo ajudar as outras pessoas por uma motivação não egoísta genuína ou estou cheio de vaidade querendo parecer que tenho conhecimentos e 'poderes' quando na verdade estou mais perdido ainda"? Vejo muita gente super perdida dando orientação espiritual ou terapêutica...
Não estou aqui fazendo um julgamento, apenas refletindo (inclusive a crítica serve para mim mesma!); muitas vezes acabamos inconscientemente dominados por dissonâncias cognitivas e começamos a justificar tudo que acontece a partir de nossas crenças, e por estarmos perdidos, temos um impulso quase que visceral de querer ficar ajudando todo mundo a se encontrar, quando na verdade as vezes falta olhar para nós mesmos e encontrar um caminho mais equilibrado e perceber onde estão as dores que estão impulsionando esse motor, perceber que o impulso de ajudar é um grito de ajuda para nós mesmos, pois no fundo estamos perdidos..
Acredito que é preciso ter cuidado e discernir o que é uma atitude consciente de cuidar do outro e orientar com base em algo sério, e o que é um impulso patológico de dominar o outro , ou ter um poder vazio sobre o outro, ou nutrir um tipo de vaidade 'espiritual' e acabarmos assim alimentando nossos vícios egoicos ao querermos ser guias dos outros quando mal caminhamos com nossos próprios pés.
Em um texto budista encontramos o dizer "se não podes ser o sol, sê então o humilde planeta e aponta o caminho - por vagamente que o faças, e perdido entre a multidão - como a estrela da tarde àqueles que caminham pela escuridão." -- Mas o Budismo Mahayana também ensina que precisamos nos aperfeiçoar a nos mesmos para sermos melhores guias, senão seremos apenas cegos guiando cegos. "Não podes caminhar no Caminho enquanto não te tornares, tu próprio, esse Caminho." (Voz do Silêncio)
Em uma sociedade cheia de 'guias', 'coaches' e 'gurus', as vezes precisamos ter a humildade de olhar para dentro do nosso coração e nossa mente, e percebermos nossas reais intenções e nossa honesta capacidade, antes de nos empenharmos em "influenciar" outros. 
Aprender com sinceridade com aqueles que já caminharam antes de nós é importante para ter uma reta visão sobre o caminhar. Desprezar os livros e ensinamentos dos verdadeiros Sábios que já passaram por esse mundo, achando-nos auto suficientes e "livres", nada mais é que mais uma ilusão do ego. Este ego percebe a verdade da luz que habita em nós, mas não percebe a interdependência e unidade de tudo que vive, e não vê as sombras que ainda habitam em si.. e como Platão nos diz, confundem a luz do sol com as sombras, e tem a si mesmo em alta conta proferindo palavras bonitas mas vazias e contaminadas de vícios, vaidades e obscurecimentos. São flores perfumadas que escondem venenosas cobras em seu caule, pronta para dar o bote.. E o veneno volta para nós mesmos...
É preciso antes limpar o espelho da lama e do pó, para que então ele possa refletir a luz. Podemos até colocar uma voltagem maior na lampada, mas com um espelho sujo, refletiremos apenas mais ignorância. A luz se torna difusa e mais atrapalha do que ajuda. Uma reta motivação é generosa e compassiva, mas sem sabedoria e discernimento, ela apenas espalha mais trevas.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Um canal no YouTube para falar sério sobre Filosofia, Espiritualidade e Religiões!!

Cansado de papos auto ajuda? Queria se aprofundar nos ensinamentos das grandes religiões e filosofias? Quer ter acesso ao que dizem os textos base de tradições filosóficas, de autores da espiritualidade? 


Criei um canal no Youtube! O VIVEKA! Se inscreva! https://www.youtube.com/channel/UCCcdmziTskoXVjfGrpqZz0Q


Não é um canal auto ajuda, não sou "coach" espiritual de ninguém, não vou falar do poder do pensamento positivo nem te ensinar a conquistar pessoas em 10 lições!Mas vou compartilhar anos de estudos, temas diversos, vou direto nas fontes, nos textos clássicos, nos ensinamentos de diversas tradições que passam pelo budismo, filosofias da Índia, filosofia grega, cristianismo primitivo, místicos medievais, hermetismo, teosofia, meditação e tudo o mais!

Além de acupunturista também sou mestre em filosofia, e por muitos anos imergi nesse mundo de estudos da alma. Já dei cursos e palestras, e então pausei. Mas decidi voltar, então por que não compartilhar os estudos e práticas que tive acesso?!

Chega mais! Esse é meu vídeo de apresentação:


  • Já pensou em começar uma prática meditativa e não sabe como? Eu estou criando um guia de vários vídeos sobre o assunto. Acompanhe o blog e o canal e aproveite as dicas!