quinta-feira, 16 de maio de 2019

A Morte de Helena Blavatsky


Como ela nos deixou

por Laura M. Cooper

[Originalmente publicado em  Lucifer (London) June 15, 1891, pp. 267-271.
Republicado em H.P.B.:  In Memory of Helena Petrovna Blavatsky by Some
of Her Pupils, London, Theosophical Publishing Society, 1891, pp. 3-7.]

Foi para mim um privilégio estar com H.P.B durante sua última convalescênça, e no momento de sua morte. Me pediram que eu contribuísse compartilhando “memórias” minhas sobre estes momentos, para benefício de irmãos e irmãs da Teosofia, que, estando distantes, não tiveram a vantagem de estar próximos de H.P.B constantemente. 


Foi numa terça-feira, dia 21 de Abril, que fui para ficar na sede da loja por alguns dias, dias estes que, dado aos eventos inesperados que se seguiram, transformaram-se em semanas. H.P.B parecia estar em seu estado normal de saúde, e na quinta-feira, dia 23, ela participou do encontro da Loja e permaneceu conversando com os amigos que a cercaram por algum tempo após o fim da reunião daquela noite; ela então retirou-se para seu quarto, como lhe era de costume, e os membros da loja que moravam na sede sentaram junto a ela enquanto ela tomava seu último café antes de se retirar para a noite.


O dia seguinte, sexta-feira, passou quietamente, sem nenhum sinal de que logo nossa amada H.P.B iria deixar-nos. Na noite seguinte, sábado, ela estava muito desperta. Dr. Mennell apareceu e ficou muito satisfeito com sua condição. Minha irmã, Isabel Cooper-Oakley, e eu, juntamente com mais um ou dois membros, ficamos conversando com H.P.B até as onze da noite, quando ela se retirou com um animado “boa noite a todos”, tudo parecia normal.


Na manhã seguinte, contudo, a empregada de H.P.B veio cedo para meu quarto para avisar que Helena passou uma noite inquieta, estremecendo e em dor. Desci logo a seguir para verificar, e logo pude perceber que ela estava evidentemente com uma febre bastante alta. Chamamos o médico e o dia passou com H.P.B alternando entre um sono profundo ou inquieta e sofrendo. Mais tarde o médico retornou e declarou que ela estava com um caso de influenza; a febre estava muito alta, mais de 40 célsius. Temendo complicações dado as condições de doença crônica (renal) que H.P.B se encontrava, Dr. Mennell atendeu ao caso com muita seriedade, e pediu que durante a noite toda nós nos revezássemos para cuidar dela além da presença da empregada, e que deveríamos dar pontualmente tanto a medicina quando o alimento.
Isabel Cooper-Oakley


Este dever caiu sobre mim, a Condessa de Wachtmeister havia passado o dia inteiro engajada com diversos trabalhos e estava exausta a noite, e o Dr. Mennell não permitiu que minha irmã ajudasse dado seu estado de saúde mais frágil.

Naquela memorável noite de domingo, dia 26 de abril, começou uma série de infortúnios, a doença passou de um membro da loja para outro, culminando com o falecimento de nossa amada professora. As horas passaram lentamente, alternando sono e inquietude, e na manhã seguinte nenhuma melhora foi observada. Trouxemos a grande poltrona de H.P.B para seu quarto e colocamos ao lado de sua cama, caso desejasse mudar de posição ou sentar um pouco.

Apesar de estar muito doente ela pediu que nós a informássemos de tudo que estava acontecendo, e demonstrou triste preocupação ao saber que outro membro, o Sr. Sturdy, também estava acamado com influenza; quando foi sugerido que o Sr. Mead trouxesse Sr. Sturdy para a sede, para que ele também pudesse receber todo cuidado, ela ficou muito feliz e pediu que fizéssemos isso logo por ele.  


H.P.B passou um dia de longo sofrimento, e quando Dr. Mennell chegou ao entardecer ela estava abalada ao saber que a febre estava ainda muito alta; ele mudou a medicação e lhe deu um preparo de ácido acetilsalicílico (salicene), sendo necessário reduzir sua temperatura. Ele deixou orientação de sempre tirarmos a temperatura dela antes de cada dose do remédio, e observarmos caso a temperatura caísse demais, pois isso seria perigoso e deveríamos parar com a medicação. Antes da hora da terceira dose a temperatura dela já havia baixado bastante, e ela estava sentindo efeitos colaterais da medicação, então achei justo não dar a terceira dose. Foi um alívio quando o Dr. Mennell retornou e confirmou que estávamos agindo corretamente.

Ela passou uma noite relativamente tranquila e na terça-feira de manhã a febre tinha praticamente desaparecido; naquele dia e na noite seguinte tudo parecia estar bem, pois apesar da fraqueza ser inquietante, não haviam surgido mais complicações, e ela conseguiu se alimentar bem. Mas na quinta-feira, dia 30, H.P.B começou a sentir muita dor de garganta, e grande dificuldade para engolir; ela tossia muito e mal conseguia respirar. Na sexta feira ela estava pior ainda e quando Dr. Mennell chegou ele encontrou um abcesso peritonsillar (complicação de amigdalite) no lado direito da garganta dela; usamos alguns cataplasmas quentes na região e algum alívio foi conseguido. Durante a noite o abcesso estourou, uma noite pior se seguiu e durante a manhã havia um segundo abcesso se formando na garganta. Este estava localizado no tubo brônquico. Um dia e noite horrível se seguiu e no domingo, 3 de maio, H.P.B estava extremamente doente, sentindo muita dor para engolir qualquer coisa, não conseguindo alimentar-se e cada vez mais fraca consequentemente. Segunda e terça-feira passaram da mesma maneira, o abcesso desapareceu, mas os brônquios continuavam muito afetados e ela respirava muito mal. Não conseguia deitar-se. Ela lutou bravamente contra sua doença. 

Na quarta-feira, dia 6 de maio, ela vestiu-se e caminhou até a sala de estar e ficou descansando no sofá; à noite o Dr. Mennell considerou que ela estava um pouco melhor, não havia mais febre mas estava muito fraca e com dificuldade para respirar, e isso o preocupou. Diversas vezes H.P.B disse a ele que sentia que estava morrendo, e que não conseguiria lutar por muito mais tempo; mas ele, sabendo de seu histórico de ter-se recuperado quase que milagrosamente de doenças anteriores, ele não abandonou as esperanças; posso dizer que este era o sentimento de todos nós na casa, pois apesar de percebermos o quão gravemente doente H.P.B. estava, não conseguíamos acreditara que ela partiria.

H.P.B e G.R.S.Mead

Desde seus primeiros dias de doença H. P. B. perdeu todo o desejo de fumar seus cigarros. Quando a febre sumiu ela tentou uma vez, mas não lhe trouxe prazer algum e ela jogou-o fora. Ela sempre tinha algum cigarro pronto para quando o Dr. Mennell visitava, as vezes quando ela não conseguia, o Sr. Mead ou o Sr. Wright eram chamados para ajudar. Aquela quarta-feira a noite foi o ponto de virada da doença dela; por volta da meia noite ela piorou muito e durante uma hora parecia que ela estava morrendo mesmo; ela não tinha mais pulso perceptível, e parecia quase impossível para ela respirar. Após um tempo ela foi melhorando um pouco, e o perigo parecia ter passado. Na quinta-feira bem cedo o Sr. Wright foi buscar o Dr. Mennell; ele ficou um tempo conosco observando ela reagir à medicação que ele dera – ao longo do dia H. P. B. levantou-se e vestiu-se, e caminhou para a sala de estar; ela solicitou por sua poltrona e enquanto trazíamos ela permaneceu de pé, imóvel, segurando-se na mesa. Ela sentou-se na poltrona e tentou abrir um jogo de paciência; apesar do corajoso esforço, era bastante aparente que ela estava sofrendo imensamente, e que nada além de sua forte vontade estava sustentando ela; a grande dificuldade em respirar deixava ela com uma expressão triste de se ver.


Quando o Dr. Mennell voltou, ficou surpreso em vê-la sentada na sala e a congratulou, desejando-lhe força e coragem; ela disse “Eu faço meu melhor doutor”; sua voz era apenas um sussurro e o esforço para falar era exaustivo, pois ela não tinha fôlego. Mas ela podia ouvir e gostava de ouvir a conversação. Ela entregou ao Dr. Mennell um cigarro que ela preparou para ele, foi o último que ela enrolou. Após um tempo o Dr. Mennell perguntou a H.P.B se ela se importaria de receber o Dr. Miller, seu colega, e permitir que ele ouvisse seu peito e a examinasse; ela consentiu e logo ele chegou. Após examina-la, fomos chamados para conversar, eu, minha irmã Isabel Cooper-Oakley e os dois doutores. Dr. Miller estava muito preocupado com a condição de H.P.B, sua extrema fraqueza e a bronquite. Ele receitou uma medicação e logo após partir H.P.B retornou ao seu quarto. Ela estava muito cansada, mas ainda assim perguntou se os outros tinham melhorado e se haveria reunião da loja. 

Condessa Constance Wacthmeister


A noite seguinte foi a última dela conosco. Foi uma noite de muito sofrimento. Por não conseguir respirar ela não conseguia descansar em posição nenhuma. Ela acabou obrigando-se a ficar sentada envolta em travesseiros. Ela quase não tinha mais força para tossir. Por volta das 4h da madrugada ela parecia mais calma, e havia pulso, e daquela hora até as 7 da manhã, quando a deixei, tudo estava calmo. Minha irmã tomou meu lugar nos cuidados, enquanto eu ia descansar um pouco. Dr. Mennell apareceu novamente e ficou satisfeito em verificar um bom pulso nela. Ele me falou para descansar e disse que minha irmã poderia se ocupar com suas tarefas. As 11:30 da manhã eu fui acordada pelo Sr. Wright, que me chamou para vir imediatamente pois H.P.B havia piorado muito de repente, e a enfermeira achou que ela não aguentaria mais algumas horas. Assim que entrei em seu quarto vi o quão crítica era a situação. 


Mr. Wright

Ela estava sentada em sua cadeira e eu me ajoelhei a sua frente e pedi que ela tentasse tomar o remédio; apesar de estar fraca demais para segurar o copo, ela permitiu que eu derramasse em seus lábios e ela conseguiu engolir; mas após isso conseguimos apenas dar-lhe um pouco de comida na colher. Então percebi uma mudança, e quando tentei umedecer seus lábios eu vi que seus olhos estavam ficando apagados. Ela manteve sua consciência até o fim. H.P.B tinha o hábito de mover um pé enquanto pensava, e ela continuou a mover o pé até parar de respirar. Quando toda esperança havia esvaído-se, a enfermeira saiu do quarto, deixando C. F. Wright, W. R. Old e eu com nossa amada H.P.B. Os dois ajoelharam-se ao seu lado segurando sua mão e eu sentei ao seu lado e apoiei sua cabeça; ficamos assim por muitos minutos, H.P.B faleceu tão quieta que mal percebemos o momento que ela partiu de fato; um grande sentimento de paz preencheu o quarto e nós três ficamos lá em quietude até que, primeiro minha irmã e então a Condessa chegaram. Era 8 de maio de 1891.


Eu havia telegrafado a eles e ao Dr. Mennell quando a enfermeira disse que o fim estava próximo, mas eles não chegaram a tempo de vê-la. Não perdemos tempo em lamúrias vãs, tentamos pensar e fazer aquilo que ela gostaria que fizéssemos na dada circunstância, e sentíamos gratidão por ela ter se libertado de todo aquele sofrimento. O raio de luz na escuridão de nossa perda parecia ser que tínhamos esperança de continuar o trabalho dela, e que ela poderia partir em paz. Ela confiou a nós, seus discípulos próximos, o serviço da causa a qual ela dedicou sua vida, e a profundeza do nosso amor e lealdade será medida com nosso trabalho.

Laura M. Cooper.

*tradução Alaya Dullius



Após sua morte, seu corpo foi cremado no crematório de Woking, onde G.R.S. Mead conduziu uma bela leitura em seu funeral. Leia o discurso dele aqui: https://viveka1.blogspot.com/2019/11/discurso-de-cremacao-de-helena.html

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Ganância espiritual e querer dominar tudo sem ser profundo em nada

Sobre "Gula" espiritual e superficialidade
*Por Bruno Carlucci


Há muito tenho evitado postar sobre espiritualidade em redes sociais, pois aqui as coisas se banalizam ou acabam em discussões infrutíferas. Não tenho necessidade de convencer ninguém, nem estou disposto a ser convencido por ninguém. Nem esse texto é uma indireta específica direcionada a alguém. É só um desabafo/reflexão mesmo a que cheguei esses dias: Uma das coisas que mais me preocupa na tentativa de estabelecer uma rotina de estudos e de vida coerente com a busca espiritual são a dispersão e a gula. Tempo e foco são um problema. Não chegamos a lugar algum na vida sem foco, sem metas claras e temos que usar o nosso tempo para isso, claro, tudo amparado por uma reta motivação, uma ética adequada. Ensina o budismo que tempo é uma das coisas mais preciosas que temos, pois nunca sabemos o dia de amanhã.
Mesmo que nenhuma tragédia aconteça, pode vir um novo emprego, um filho, um casamento, um compromisso da vida diária que reduz o tempo que temos para nos dedicar ao estudo e à prática. Percebo uma "culpa" teosófica em muita gente e em grupos que sentem que precisam estudar uma legião de tradições espirituais ao mesmo tempo e o foco se perde. A culpa é alimentada por uma gula, porque de fato há muitas tradições idôneas que precisam ser estudadas, mas com a gula se busca abraçar tudo e a dispersão e a confusão só aumentam. Acabamos com um exército de doutores em tudo e em nada ao mesmo tempo.
As pessoas se apegam aos conceitos, se apegam à imagem de "ser alguém que estuda muitas tradições e entende de todas elas" e daí vem um ciclo vicioso, em que as pessoas estão sempre pulando de galho em galho e voltando para o galho anterior, reciclando as mesmas palestras, a mesma verborragia de conceitos e bate-boca, porque já são "doutoras" e já dominam tudo, mesmo que na verdade nem tenham uma ligação, um vínculo com aquela tradição, mas em sua dispersão se enganam e se convencem de que se identificam com tudo.
Ou pior, a gula gera vaidade e a vaidade faz com que a pessoa queira falar até mesmo do que não estudou, ou do que só estudou "superficialmente" e daí vem o plágio, começa-se a roubar a experiência, a fala das outros. O noviço (às vezes nem isso) quer se mostrar tão doutor quanto o Lama. A vaidade gera a mentira, a pessoa quer ser admirada, adulada, gosta de sair contando por aí acerca dos elogios que recebeu, gosta quando a comparam e dizem que sua palestra foi melhor que a do fulano, que o seu texto está impecável, que a sua tradução não tem erros, seus olhos brilham quando alguém lhe promete um cargo ou uma posição de destaque no grupo.
A pessoa passa a se achar "o senhor do primeiro raio", a raposa que lidera as ovelhas, na ânsia de compensar algum tipo de carência ou frustração mal resolvida na vida pessoal ou profissional, ela começa a competir com os outros para ser o centro das atenções e derrotar os seus rivais. Então, inconscientemente e, cada vez mais, conscientemente a pessoa se volta contra aqueles que a ensinaram, contra seus colegas, contra as inclinações naturais de sua própria alma e abrem-se as portas, para a pessoa que é doutora de tudo, "senhora do primeiro raio", projeto de Avatar e salvador da humanidade, cheia de gula e de raiva, arrogância e megalomania, a se dispersar ainda mais e começar a espalhar ensinamentos distorcidos.
Começa com um pequeno desvio aqui e ali, na ânsia de se mostrar autoridade daquilo que ela não domina, e acaba por, nos casos mais graves, a explorar caminhos não-idôneos e experimentar toda a severidade com que o Senhor do Tempo lhe presenteará em resposta. Pois este é um deus que não perdoa. E mais uma vida se vai, mais problemas para a próxima. Assim a roda gira.
 

Se a sua alma não grita, se o seu coração não chora por um determinado assunto, por uma determinada tradição espiritual, não considere a si mesmo especialista ou interessado em algo que não é, pois curiosidade não é interesse. Não banalize o que é sagrado. Não engane os outros, nem a si mesmo. 
Se não há reta motivação, ética, coerência mínima com que se pretende ensinar, silencie. Não prometa o que não pode oferecer. Vivemos em tempos de muitos pretensos especialistas e pouco estudo, muitos falantes e poucos ouvintes, muita dispersão e barulho, mas pouca reflexão e silêncio. 

Outra coisa que tenho pensando em conversas com amigos: claro que na história houve contatos entre diferentes tradições, mas os Iniciados de cada tradição se focaram e se especializaram naquela tradição a que estavam mais vinculados e, certamente, não por preconceito, mas porque muito dificilmente alguém consegue se aprofundar igualmente em vários caminhos ao mesmo tempo. Não vejo nada de errado em estudar mais de uma tradição (até porque eu mesmo faço isso), até para comparar e aprender coisas que podem ser úteis para a aquela tradição principal, aquela que mais grita no coração. Claro que podemos nos identificar com mais de uma, afinal, estamos aí renascendo a todo século (não, não acredito literalmente no papo de 1000 anos de "devachan", sinto muito), mas aí temos que ser sinceros conosco e refletir sobre o que, na vida presente, vibra mais em nossa mente, em nossa alma.
A maior parte dos casos de pessoas que vejo dizerem se identificar igualmente com todas ou estão confusas e se desviando de um trabalho que poderiam fazer com aquela que lhes traz mais clareza ou usando a curiosidade como rota de fuga para não terem de se aprofundar num determinado caminho. Claro, conheço exceções, mas são casos de pessoas realmente excepcionais que saem do universalismo superficial e têm um discernimento que poucos têm, além da "sorte" de ter muito tempo disponível e disciplina para usá-lo.

HPB diz num texto que muitos iniciados têm um intelecto abaixo da média, pois o mais importante no caminho é a pureza de princípios, a sinceridade na busca, uma boa intuição e discernimento. Claro que desenvolver e usar o intelecto é útil e importante, mas não dissociado desses outros pontos.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Ética, a Morada da Consciência.


Ética – a luz da consciência.
Aláya Dullius
2010

A palavra ética foi usada pela primeira vez, dando o sentido que hoje a deveríamos ter, pelo filósofo pré-socrático Heráclito em sua célebre sentença grega “ethos antrophos daimon”, significando a luz que habita no homem. Ética em uma tradução livre, seria justamente isto, a luz da consciência que habita no homem. Posteriormente temos a introdução do termo latino “moralis”, que indica costumes, regras, modo de vida. 


Sendo assim, é possível perceber que a moral, referindo-se a regras de conduta, está subordinada a seu período no tempo e na história, delimitada por culturas. Porém, a ética, sendo a própria consciência humana, traz em si um caráter mais universalista, pois a humanidade, sendo uma só, não poderia trazer intrinsecamente consigo ‘éticas’ diferentes. Dessa forma podemos entender que é possível alguém ser imoral e ético ao mesmo tempo, o mesmo se dá com o oposto. É possível ser moral, e anti-ético.
Nossos valores foram passados por nossos pais, somos também fruto da sociedade em que vivemos, da educação e influências que recebemos. Um vegetariano por exemplo considera anti-ético alimentar-se de outros animais, seja por que entende que a vida destes não lhe pertence, seja porque não concorda com o modo extremamente brutal e violento com que estes são abatidos industrialmente em larga escala, sem o menor respeito por suas vidas e consideração por seu sofrimento desnecessário. Para essa pessoa, abster-se de um hábito considerado moralmente aceitável em sua sociedade, é uma questão de ética pessoal. 

Em culturas de certos países, é moralmente aceitável que um marido traído, por questão de honra, condene sua mulher à morte. Mas será ético matar alguém, ou punir gravemente alguém, por uma questão que diz respeito à relações pessoais e ao orgulho? Os pais baterem em seus filhos com o propósito de educação também é ainda considerado por muitos como algo correto, contudo, os estudos psicológicos demonstram que a punição física não só machuca como humilha a criança, podendo ser causa de problemas psicológicos e inseguranças, e portanto, não é uma atitude ética, visto que temos a inteligência e a capacidade de elaborarmos alternativas mais contundentes e amorosas; sem contar que é uma tremenda covardia agredir alguém mais fraco e incapaz de se defender e que precisa de ajuda para aprender a lidar com suas emoções. 
A mutilação genital de meninas africanas não é vista com horror pela maioria dos membros da cultura onde esta prática está inserida, mas para nós provavelmente seria tratada como crime de tortura. Dois séculos atrás, ser dono de seres humanos, feri-los, explorá-los e humilha-los não era visto como absurdo em nosso mundo. O simples fato de termos uma cor de pele diferente nos colocava moralmente numa situação em que ser anti-ético com outro ser humano era visto como normal. Em um futuro próximo o ato de comer animais ou praticar pesca desportiva por exemplo poderá ser visto como uma brutalidade grotesca e desnecessária, assim como é vista a escravidão nos dias de hoje (apesar do racismo estrutural que infelizmente permanece..)!
Percebemos então que a moral está vinculada diretamente à regras que regem o convívio na sociedade, dentro de suas determinadas culturas e épocas, e é, portanto, relativa. Já a ética evoca um sentido mais abrangente, que diz respeito principalmente ao respeito à Vida, com V maiúsculo. Ao que alguns filósofos chamam de Vida Una.  Na filosofia antiga, como por exemplo entre os neoplatônicos, há a ideia de que antes da manifestação do cosmos, isto é, do mundo ordenado, havia uma grande Unidade. Sendo Una, era indiferenciada, e continha em si todas as possibilidades. Nós seriamos centelhas dessa “Alma do Mundo” e a ela deveríamos buscar retornar. Compreender isso geraria nas pessoas, idealmente, uma ideia de fraternidade, de origem comum.
Talvez seja essa fraternidade que esteja sendo estimulada nas célebres sentenças cristãs “amai ao próximo como a ti mesmo” e “não fazei ao outro o que não gostaria que fizessem contigo”. Ora, isso não é uma regra moral, é ver a si mesmo no outro, perceber que estamos unidos, e portanto, somos indiferenciados. Ao fazer o outro sofrer estaríamos causando dor a nós mesmos. Na tradição budista há uma ideia fundamental sobre a interdependência, sobre essa rede que nos conecta, tornando o individualismo egoísta sem sentido.
A ética, estando no âmbito da consciência, pode ser despertada através não só de uma compaixão natural, mas de uma sabedoria que percebe essa interdependência e respeita a vida no outro pois reconhece no outro o divino que há em si também. Este é o sentido de ‘namastê’, o reconhecer a si no outro. E sendo este reconhecimento sincero, a ética surge como uma atitude natural do ser humano, que vai procurar buscar sempre agir em direção ao Bem (como diria Platão), não por que uma regra assim lhe ordena, mas por que é a única atitude que faria sentido. Dessa forma, a pessoa que desperta a luz em sua consciência, passa a se colocar como parte de um todo, um agente ativo e empático no mundo. E suas ações não se limitarão à condutas sociais, pois esse respeito à vida abarca todas as formas de vida.
Essa empatia é essencial no trato com aqueles que sofrem. Quando nos colocamos como mediadores de cura devemos seguir algumas condutas morais, mas mantendo sempre um embasamento em um sentido ético, de respeito ao ser que busca nosso auxílio. Dentre as condutas mais citadas está o sigilo quanto às informações confidenciadas pelo paciente e uma postura de respeito tanto à condição física quanto psicológica daquela pessoa. Se colocar como um instrumento de cura, ou que auxilia a auto-cura de alguém, é como tentar ser uma vela que ilumina um caminho, já que não podemos ser o sol, e permitir que a pessoa ande por este caminho e possa ela também, por sua vez, iluminar os outros.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Plotino e a Jornada da Alma - a Contemplação do Um e do Belo

Em 2012, após o término de meu mestrado em Filosofia Antiga (Sobre o Uno em Plotino e o Evangelho Apócrifo de João), dei uma palestra no Instituto Teosófico de Brasília sobre esse mesmo tema. O audio foi gravado e hoje tive o feliz trabalho de transformá-lo o melhor que pude com imagens ilustrativas, para ajudarem a levar o ouvinte para aqueles ensinamentos tão belos (não meus, de Plotino).
Convido-os a ouvir se interessar, e a se inscreverem em meu canal no youtube ☺ Curtam e compartilhem!



No conhecido livro A CHAVE PARA TEOSOFIA, Blavatsky, no primeiro capítulo, explica a origem do nome que escolheu para nomear a Sociedade que fundava. Ela nos fala sobre o Mestre Amônio Saccas e sua escola esotérica e filosófica, nos fala sobre as idéias de Plotino que se assemelhavam com o shamadhi hindu. Ela chama os filósofos dessa escola de verdadeiros teosofistas. Então, penso eu que nada mais óbvio seria para nós, interessados nessa sabedoria divina, buscar conhecer o que ensinavam. Eu sou suspeita, mas é lindo e inspirador!
Espero que meu vídeo auxilie a inspira-lo. Falo da jornada da alma (ou da mônada), das virtudes, do mundo que nos faz esquecer, da escola de Alexandria, dos neoplatônicos e gnósticos, do despertar para a contemplação da Beleza e da Unidade!
Deixo o link aqui pra vocês, e compartilho o trecho inicial da Chave para Teosofia:

CHAVE PARA TEOSOFIA

PESQ.: Qual é o verdadeiro significado do termo Teosofia?

TEOS.: Sabedoria Divina. “Theosophia” significa sabedoria dos deuses, assim como “Teogonia” significa genealogia dos deuses.  A palavra “theos” significa um deus, em grego, um dos seres divinos, e  certamente não significa “Deus” no sentido que se dá atualmente ao termo. Portanto, ela não é “Sabedoria de Deus”, como alguns traduzem o termo, mas aquela  Sabedoria Divina que pertence aos deuses. O termo existe há muitos milhares de anos.

PESQ.: Qual é a origem do nome?

TEOS.:  Ele vem dos filósofos de Alexandria, os chamados amantes da verdade, Filaleteus, de “Fil” (amar) e “Aleteia” (verdade). O nome “teosofia” data do século três da nossa era, e começou a ser usado por Amônio Saccas e seus discípulos (Plotino, Orígenes e outros), que criaram o sistema Teosófico Eclético.
Os neoplatônicos eram numerosos, e pertenciam a várias filosofias religiosas. [3] O mesmo acontece com os nossos teosofistas. Naquele tempo, o judeu Aristóbulo dizia que a ética de Aristóteles representava os ensinamentos esotéricos da Lei de Moisés; Filo Judeu se esforçava por reconciliar o Pentateuco com a filosofia pitagórica e platônica; e Josefo comprovava que os essênios de Carmelo eram simplesmente os copistas e seguidores dos terapeutas egípcios (os curadores).  O mesmo ocorre em nossos dias. Nós podemos mostrar a origem e a trajetória de cada grupo cristão, incluindo a menor das suas seitas. As seitas são os ramos menores nascidos dos galhos maiores da árvore; mas ramos e galhos surgem do mesmo tronco: a RELIGIÃO DA SABEDORIA.  A meta de Amônio era provar isso. Ele se esforçava por induzir gentios e cristãos, judeus e idólatras,  a deixar de lado suas disputas e brigas, lembrando apenas que todos possuíam a mesma verdade sob diferentes vestimentas, e eram todos filhos de uma mesma mãe.[4]  Esta é também a meta da teosofia.

(A tradução na íntegra do primeiro capítulo da obra pode ser encontrada aqui https://www.filosofiaesoterica.com/a-chave-da-teosofia-1/)

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Mensagem de um Mestre de Sabedoria sobre a Grave Situação Mundial

Sobre a Grave Situação Mundial que vive a Humanidade atualmente 
Uma exortação pelo despertar da Unidade e Amor Universal!
Mahatma M. 1977

Retirado do Diário Oculto de Geoffrey Hodson - Luz do Santuário http://edconhecimento.com.br/?livros=luz-do-santuario-o-diario-oculto-de-geoffrey-hodson - Se refere ao período de 1977, mas acredito ser atual para nós hoje mesmo em 2018!

"A civilização moderna, principalmente no Oriente Médio e no Ocidente, está em perigo de um declínio ainda mais acentuado. A causa disso é o enorme e infelizmente crescente número e formas do que deve ser descrito (entre nós) como pura maldade, que agora existe e ameaça gravemente o futuro da humanidade.

A ST deveria, consequentemente, nesse momento, estar enviando um aviso muito sério e forte conclamando seus membros, e por meio deles e de suas organizações para todo o mundo, para uma ação sincronizada visando ao menos impedir, se não diminuir, o crescimento e a atividade dessas tendências sobremodo adversas.

Os armamentos, é lógico, vêm em primeiro lugar e, a menos que as reuniões de SALT sejam bem sucedidas em alcançar seu objetivo de limitar os armamentos nucleares, como também de outros de grave capacidade de destruição, então uma Terceira Guerra Mundial não será de forma alguma uma impossibilidade.

Saudações para todos que, percebendo o perigo, estão levantando suas vozes! Continue com o aviso. Desta forma nós aconselhamos e, ao fazermos isso, obtemos a colaboração do maior número possível de membros de influência.

Prepare uma declaração forte e com poder de atração a respeito dessa situação e apresente-a por meio de artigo e gravações ao mundo. Todos os teósofos sérios certamente verão que a menos que o perigo seja evitado e reduzido, muitos outros movimentos idealistas serão enfraquecidos, falharão e até mesmo tornar-se-ão relativamente insignificantes, incluindo nosso Primeiro Objetivo (Formar um núcleo da Fraternidade Universal da Humanidade, sem distinção de raça, credo, sexo, casta ou cor.). Em seguida na lista de “COISAS GRAVES”, se uma expressão puder ser cunhada, está a tendência rapidamente crescente para a violência, brutalidade, perversidade, em muitas inter-relações, e outros crimes profundamente danosos e destrutivos não só dos corpos, mas também das condições psicológicas das emoções e das mentes de um número crescente de pessoas, desde crianças até adultos.

O único remédio e a única garantia contra esses dois males é, no mais elevado sentido, CONSIDERAÇÃO AMOROSA UNIVERSAL E PESSOAL PARA COM NOSSOS COMPANHEIROS HABITANTES DE NOSSO GLOBO – AMOR UNIVERSAL nas mentes, corações e ações. Procure declarar isso da forma mais eficaz possível.

Uma terceira – e de muitas formas mais horrorosa e revoltante para todos que são motivados pela bondade do coração – é a feroz imposição da crueldade sobre os seres humanos e os animais, que está sendo cuidadosamente planejada e deliberadamente fortalecida e intensificada. Ela também está aumentando tanto na sua extensão como na sua ferocidade. (Formule isso também da forma mais atraente que possível, em todas as declarações que puder fazer.)

A maldição da ganância por ganho monetário talvez devesse ser acrescentada às declarações acima, em particular em relação às atividades relacionadas com o álcool, tabaco, outras drogas, alimentos, vestuário e cosméticos, incluindo perfumes (brutalidade de tratamento do gato-almiscarado).
Um “desastre” adicional, como Nós estamos tentados a chamá-lo, é o fracasso da humanidade em dar atenção, coração, ouvido e vida para os ensinamentos, a sabedoria e a orientação tão abundantemente disponível em Brahma Vidya, Teosofia, chame-a como quiser.

As vozes que se elevam em favor dos ensinamentos eternos e de aplicação muito prática da Teosofia, infelizmente não estão sendo seriamente ouvidas pelos homens e mulheres do mundo profissional e laboral – talvez o maior desastre de todos, já que os outros males derivam-se deste. Uma dificuldade é que a intercomunicação entre nações, grupos e indivíduos está se tornando cada vez mais íntima, com o resultado que um mal num lugar pode mais rapidamente se espalhar para outro. Não seria isso também cada vez mais verdadeiro das declarações de compreensão dos remédios, especialmente da FRATERNIDADE DE TODA A VIDA?

A sua Seção da Nova Zelândia não poderia publicar um panfleto ou pequeno livro escrito por nós como acima, e usar todos os meios disponíveis para torná-lo popular por todo o mundo? Apresente uma exposição especial do carma. Procure também engajar o apoio entusiástico de ... e de quaisquer outros grupos de pessoas que possam responder a essas declarações e espalhar esse aviso e apelo à humanidade. Sim, até mesmo um filme colorido com palavras apropriadas bem que poderia ser produzido e ser muito efetivo.

A nota chave da Fraternidade de toda Vida deve ser soada, e você, com Nossa orientação e suas habilidades, está sendo mais uma vez chamado para garantir que ela seja reiterada e, o mais amplamente possível, ouvida e respondida.

Outra Mensagem de outro Mahatma, em 1978, também para Hodson: 


"A questão básica, especialmente aguda nesse momento, é a ameaça de guerra e a forma de assegurar uma paz mundial permanente. Isso é acentuado pelas últimas descobertas científicas dos principais países na produção de armas cada vez mais mortíferas e de outros meios de destruição em massa ou individual. Em outras palavras, o que realmente é preciso, muito urgentemente, Nós acreditamos, é o que poderia ser chamado de uma confraternização dos povos de todas as nações, especialmente daquelas com motivos não egoístas.


Os membros da raça humana devem nesse momento colaborar cada vez mais para enfrentar esse perigo e para sedimentar a fundação inabalável do esforço internacional organizado para a paz mundial. As Nações Unidas não é capaz de conseguir isso por muitas razões, uma das principais sendo a necessidade de evitar a saída e não cooperação das nações que estão em desacordo, aquelas procurando a dominação mundial, por exemplo.

Será que não chegou o momento em que milhares de milhões de pessoas, percebendo esses perigos, devam unir-se num esforço internacional que poderia ser chamado “UM CONVITE PARA SALVAR A RAÇA HUMANA DO PERIGO DA EXTINÇÃO MÚTUA”?

Outro problema grave consiste, como você sabe muito bem, do insensato aumento da crueldade por todo o mundo, do homem ao homem e do homem aos animais. As principais formas deveriam ser enumeradas juntamente com a formulação de um chamado para sua solução.

Um terceiro problema é a distribuição planetária de alimentos para cessar a morte de milhões, e a miséria resultante da fome de outros milhões. Por trás e em meio a tudo isso está a ânsia por mais poder, superioridade financeira e avanço tecnológico nacional adiante de outras nações em armas de guerra e desenvolvimentos e exportações industriais.

O chamado, então, talvez numa linguagem melhor seja: “OS SERES HUMANOS NA TERRA DEVEM SE UNIR”. O amor deve substituir o ódio direto e a ausência de amor no uso deliberado da
crueldade no interior dos países e além de suas fronteiras."


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Um Adepto comunicando à Hodson em 1980

"Nós não devemos ser demasiadamente pessimistas, especialmente para começar. Talvez pudéssemos começar fazendo uma lista de movimentos e ações irmãs incluindo, certamente, a fundação da Sociedade Teosófica, a Liga das Nações, as Nações Unidas, e os movimentos de irmandade internacional, como os Escoteiros, as Bandeirantes, UNESCO, WHO e todos os movimentos unificadores movidos pela compaixão, como o Fundo para a Salvação das Crianças, etc.

O que realmente é preciso, caso fosse possível a sua fundação e funcionamento, é um 
movimento para impedir, por lei se necessário, que os pais venham a espancar e machucar seus filhos. Além disso, um Movimento Internacional para o Bem Estar e a Fraternidade, para que seja disseminado por todos os países do mundo para reduzir o apavorante antagonismo político interno, que tende a “destruir as nações”.

O mesmo poderia ser verdade com relação às religiões e a fundação de um movimento de caráter mundial, em que todas as semelhanças entre as diferentes religiões poderiam ser enfatizadas e todas as diferenças ignoradas até que elas desapareçam.


Talvez algum tipo de apelo aos jovens do mundo para a fundação de um movimento internacional dos jovens, algo como... sem atributos indesejáveis, caso existam. Não o esporte, com seu pensamento demasiado separativo de competir e ganhar. Se existe um atributo humano, que entre outros precisa ser superado, é o ‘desejo de competir e vencer sempre’.

Se as campanhas contra a crueldade no mundo pudessem ser unificadas no espírito e na prática de ahimsa (inofensividade), então outro campo de separatividade poderia ser reduzido em tamanho e eficácia, ou seja, a crueldade para ganho financeiro, o prazer em matar e comer, armadilhas cruéis para animais para a vaidade e crueldade aos animais para a suposta preservação da saúde.


sábado, 26 de maio de 2018

Autoconhecimento ou autoilusão?

Autoconhecimento ou autoilusão?
- Amorosidade ou vaidade? "coach espiritual" ou ego perdido? Estamos nos enganando?
Alaya Dullius


Cuidadores e pessoas em busca de uma via espiritual geralmente são pessoas que se auto incentivam a praticar a generosidade, o compartilhar da sabedoria, o cuidado ao outro. Falamos de compaixão e de ajudar os que tem menos que nós. 
Auxiliar os outros é maravilhoso, não me entendam mal. Mas muitas vezes não nos capacitamos para sermos uma ferramenta de auxilio, nos auto-enganamos (por ilusões do ego, vaidade ou o que quer que seja..) e nos colocamoos como "superiores" aos outros. Na verdade queremos aplauso, mais do que ajudar.. e isso é um caminho perigoso.
Acho que sempre vale uma auto critica, uma auto reflexão.. "estou querendo ajudar as outras pessoas por uma motivação não egoísta genuína ou estou cheio de vaidade querendo parecer que tenho conhecimentos e 'poderes' quando na verdade estou mais perdido ainda"? Vejo muita gente super perdida dando orientação espiritual ou terapêutica...
Não estou aqui fazendo um julgamento, apenas refletindo (inclusive a crítica serve para mim mesma!); muitas vezes acabamos inconscientemente dominados por dissonâncias cognitivas e começamos a justificar tudo que acontece a partir de nossas crenças, e por estarmos perdidos, temos um impulso quase que visceral de querer ficar ajudando todo mundo a se encontrar, quando na verdade as vezes falta olhar para nós mesmos e encontrar um caminho mais equilibrado e perceber onde estão as dores que estão impulsionando esse motor, perceber que o impulso de ajudar é um grito de ajuda para nós mesmos, pois no fundo estamos perdidos..
Acredito que é preciso ter cuidado e discernir o que é uma atitude consciente de cuidar do outro e orientar com base em algo sério, e o que é um impulso patológico de dominar o outro , ou ter um poder vazio sobre o outro, ou nutrir um tipo de vaidade 'espiritual' e acabarmos assim alimentando nossos vícios egoicos ao querermos ser guias dos outros quando mal caminhamos com nossos próprios pés.
Em um texto budista encontramos o dizer "se não podes ser o sol, sê então o humilde planeta e aponta o caminho - por vagamente que o faças, e perdido entre a multidão - como a estrela da tarde àqueles que caminham pela escuridão." -- Mas o Budismo Mahayana também ensina que precisamos nos aperfeiçoar a nos mesmos para sermos melhores guias, senão seremos apenas cegos guiando cegos. "Não podes caminhar no Caminho enquanto não te tornares, tu próprio, esse Caminho." (Voz do Silêncio)
Em uma sociedade cheia de 'guias', 'coaches' e 'gurus', as vezes precisamos ter a humildade de olhar para dentro do nosso coração e nossa mente, e percebermos nossas reais intenções e nossa honesta capacidade, antes de nos empenharmos em "influenciar" outros. 
Aprender com sinceridade com aqueles que já caminharam antes de nós é importante para ter uma reta visão sobre o caminhar. Desprezar os livros e ensinamentos dos verdadeiros Sábios que já passaram por esse mundo, achando-nos auto suficientes e "livres", nada mais é que mais uma ilusão do ego. Este ego percebe a verdade da luz que habita em nós, mas não percebe a interdependência e unidade de tudo que vive, e não vê as sombras que ainda habitam em si.. e como Platão nos diz, confundem a luz do sol com as sombras, e tem a si mesmo em alta conta proferindo palavras bonitas mas vazias e contaminadas de vícios, vaidades e obscurecimentos. São flores perfumadas que escondem venenosas cobras em seu caule, pronta para dar o bote.. E o veneno volta para nós mesmos...
É preciso antes limpar o espelho da lama e do pó, para que então ele possa refletir a luz. Podemos até colocar uma voltagem maior na lampada, mas com um espelho sujo, refletiremos apenas mais ignorância. A luz se torna difusa e mais atrapalha do que ajuda. Uma reta motivação é generosa e compassiva, mas sem sabedoria e discernimento, ela apenas espalha mais trevas.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Introdução à Meditação - Um Guia Prático em vários vídeos!

Já pensou em começar uma prática meditativa e não sabe como? Eu estou criando um GUIA de vários vídeos sobre o assunto.


Meditação é muito mais do que ter atenção, e tem inúmeros benefícios! Meditação aumenta a concentração de serotonina no corpo, melhora a concentração, nos torna mais presentes e conscientes das nossas emoções. Meditação alivia estados de insonia, de ansiedade e depressão.
É muito mais do que sentar e fechar os olhos, não é "fazer nada", é um mergulho no si mesmo!
A meditação funciona como um aquietamento da mente, permitindo que nossa luz interior brilhe com mais clareza. Ela nos auxilia a limpar a mente das perturbações que afetam nosso cotidiano, nossos defeitos que impulsionados por desejos e aversões inconscientes influenciam nossa vida e nos impedem de encontrar a plenitude.
A meditação auxilia no cultivo de virtudes, e em uma vida mais serena e presente.

Quer aprender a meditar? Acompanha meus vídeos!




Por Que meditar?! Os Benefícios da prática da meditação!




Dicas Práticas 1 - Local e Horário de meditação



Dicas Práticas 2 - Postura e Respiração



Retomando: Postura, Local e Começando novamente

A Prática da Meditação - Estabilidade emocional, Estímulo e Sonolência.  Plena atenção mental

Lidando com o foco meditativo. Mantras. Transformando as Emoções e Acalmando os Pensamentos